Nostalgia. É possível viver sem ela?

Eu estava saindo da escola com pouco mais de catorze anos quando recebi a carona do meu professor de biologia. Rodrigo era o professor mais cobiçado naquele ano, tanto pelas meninas, como pelos meninos que gostavam de meninos. Durante o trajeto até a minha casa respondi algumas perguntas mecanicamente, então percebi que ele estava ficando mais perto até acontecer o primeiro beijo.

Quinze anos depois daquele momento de extremo desconforto volto a falar do assunto numa sessão de constelação familiar de uma amiga. Pra quem não sabe o que isso significa é uma espécie de terapia em grupo, geralmente com membros da mesma família, o que não era o meu caso ali. Mas lembrar do passado, é sempre algo benéfico ou alguns traumas sempre ficam mais latentes? Pra você, o primeiro beijo foi algo marcante ou frustrante?

Confesso que quando lembro o passado sempre vem uma palavra em minha mente. Nostalgia. É impressionante como existem pessoas que adoram viver disso. Compram brinquedos que tiveram na época, gastam fortunas com LP´s de artistas já foram enterrados há décadas, além de participar de diversas comunidades que as fazem viverem presas ao reviver o passado. Eu simplesmente não entendo.

Eu participo da teoria que não se pode perder tempo com o passado e deve-se viver intensamente o presente para não perder o futuro. Vejo diversas coisas novas aparecendo e sendo desprezadas por que são comparadas a algum nome do passado. Se assistir aos trapalhões vai perceber que só tinha graça porque você era criança, se ver hoje a turma do Didi entenderá que não mudou nada, só as personagens. É assim na televisão, e assim na vida real. Quantos namoros você terminou porque não tinha as mesmas qualidades que você viu no seu ex? Ou pior, naqueles que você fantasiou ser o príncipe encantado e não passou de um verão, que se tivesse vivido um pouco mais descobriria que tem tantos defeitos quanto os homens de hoje em dia.

Parece tão tolo tornar uma grande coisa algo que já não é mais. Eu entendo de algumas coisas do passado. De memórias que não conseguem ir embora, por exemplo. Algumas delas são maravilhosas, aquelas que me fazem lembrar de quando conheci meus melhores amigos. Outras nem tanto e já consegui superar. Agora entendo porque algumas pessoas vivem numa eterna nostalgia, com ela se tem o passado e enquanto tiver isso não ficará sozinho.

Uma resposta para este post.

  1. Publicado por J. M. em outubro 19, 2009 às 1:29 am r r

    Percebi isso hoje vendo um desenho animado que adorava, mas que não encontrei graça ao assistir novamente mais de 10 anos depois. Concordo que precisamos estar sempre olhando além do horizonte e não pelo retrovisor.
    Belo post.
    Abraço.

    Responder

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