O que seu toque de celular diz sobre você?

Na última semana recebi um convite para escrever em um jornal sobre religião, parecia uma oferta tentadora já que em meu currículo havia um passado com duas outras oportunidades semelhantes. A reunião parecia séria com um diretor de redação de olhos vermelhos com tanto trabalho. Enquanto eu narrava minha trajetória de trabalhos free lancer com toda empolgação meu telefone celular tocou.

Mas o toque do meu celular não toca num tom habitual e crescente, sabe aqueles telefones importados do Paraguai que pode-se utilizar dois chips e tem um som que deve ser proibido pela agencia nacional de saúde auditiva? Pois bem. A música nova da Lilly Allen contaminou a sala como se o trio Elétrico estivesse adentrado pela janela tirando a seriedade de quem estivesse por perto. Mas afinal de contas, o que seu toque de celular diz sobre você?

Conheço pessoas que não sabem mudar o toque padrão do celular e de certa forma são até vistas como antiquadas. Quem é que suporta ouvir Nokia tunes com toda a variedade de músicas disponíveis no mercado fonográfico? Olha que tem.

Existe aqueles que não pode ver uma novela lançar a sua chamada na TV que correm pra baixar o toque e se sentir a pessoa mais moderna da cidade. É aquela velha historia de se sentir a frente do tempo. Falando em tempo, conheço quem não perde a chance de bagunçar o baú à procura de uma música antiga que faça os outros voltar ao passado quando as escutam. Estes até gostam de variar a música, mas preferem mesmo é ser notados pelo que ouvem.

Não dá pra esquecer dos que colocam a novidade da música de seu artista favorito, afinal de contas tem sempre uma. Estes costumam passar um longo período de tempo com o mesmo hit que chega a enjoar os ouvidos de quem está por perto. Mas também tem aqueles que mudam tanto o toque do celular que por diversas vezes não conseguem reconhecer o próprio aparelho quando está tocando.

A galera da balada não perde a chance de colocar o toque que ouviu no ultimo fim de semana por aquele DJ que sempre trás uma novidade. Mas pra você, o toque do celular diz algo sobre a sua personalidade, ou tudo isso não passa de uma bobagem?

Eu faço parte do clube que elege uma música para cada contato marcante, sou viciado em tecnologia há muito tempo e costumo trocar de telefone sempre que aparece algo que me satisfaça, não só por aparência, mas pelo conteúdo que possa me ajudar no dia-a-dia. Algumas vezes me vi tentado a exibir o toque do meu celular acreditando que aquilo pudesse me render boas paqueras, mas o que sei até hoje é que nunca vi ninguém ser avaliado em uma entrevista por conta deste costume.

Não importa o que você escolhe para tocar quando alguém está ligando, o mais bacana é saber que do outro lado tem alguém que se importa, e sempre que aquela musica lhe chama é você que está sendo lembrado e muitas vezes convidado a fazer algum programa a dois, a três, ou a vários.

Depois de quatro anos, ainda há sexo?

 4anos

Há mais ou menos quatro anos comecei a escrever em um blog contando o cotidiano de minhas saídas noturnas, meus encontros virtuais, e as mais loucas aventuras. No inicio não passava de um modismo possuir um blog e pra variar eu fazia parte daquela turma que compartilhava seu dia-a-dia e esperava ser lido e comentado.

Depois de alguns meses sem procurar publicidade percebi que não adiantaria falar se ninguém quer ouvir, foi então que conheci algumas pessoas que abriram espaço para promover o que eu tinha a dizer. Renato Andrade e Eduardo Moraes simbolizam, pois são grandes incentivadores, além de outros que participaram comentando o conteúdo e acabaram por se tornar grandes amigos reais.

Mas como disse Tio Ben ao homem aranha, “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”, e estas responsabilidades me fizeram mudar o que eu precisava escrever, aquele texto pessoal e muitas vezes tido como bobo teria que ganhar maturidade e passar uma mensagem ao leitor, e foi se transformando com o passar dos anos e até me surpreendeu quando resolvi juntar todo material que já havia postado e percebi que eram mais de cento e cinqüenta posts, sem repetir assunto falando de um mesmo tema: relacionamento.

O relacionamento sempre fez parte do cotidiano, eram amigos citados, namorados, ex-namorados, figurinhas de uma só noite que ganharam título de foda-mágica, logo em seguida surgiram os prestadores de serviço que alimentou o “cemitério maldito” trazendo todos os antigos casinhos de volta a cama pra tirar deles o que tinham de melhor no momento que precisávamos disso mesmo, sexo.

O sexo virtual acompanhou meu mundo real, foram tantas pessoas, poucas repetidas, mas não por culpa minha, tudo bem, tenho uma parcela de culpa como ariano chato e extremamente exigente, sempre busquei algo mais. Mas foram quatro anos de muita experiência sexual que trouxeram além de descobertas pessoais um talento que eu não imaginei que pudesse ter. Na cama mesmo.

Engraçado, se fizer uma análise do quanto evoluímos em tão pouco tempo. Lembro que antigamente se escrevia algo e colocava na garrafa pra ser lido por alguém posteriormente, ou se perdia meses treinando um pássaro pra entregar um bilhete à pessoa que por vezes nem estava tão longe assim. Ainda bem que temos o correio que ainda mantém viva a escrita e as faturas de cartão de crédito, e lógico, nossa querida internet que ocupa nosso tempo mais precioso com uma série de bobagens deliciosas que não conseguimos nos desprender.

Sabe o que é mais gratificante de ser um escritor, colunista, treinador sentimental, blogueiro, ou seja, lá o rotulo que inseriram em mim. Saber que do outro lado fiz pessoas se emocionar esperando pela próxima coluna, os e-mails que pediam pra eu voltar pra alguém que citei, as reclamações por não ter levado em frente à relação com um soro-positivo, os conselhos que me foram dados e as inúmeras criticas pela minha falta de edição gramatical, por postar com pressa e vontade de compartilhar o fruto de algo que posto com tanto carinho.

Agradeço muito aos amigos que são leitores da minha coluna, como Márcia, Mana, Lex, Luke, Carlos, Daniel, Lelo e outros que renderiam um enorme parágrafo. Eles aguardam ansiosos para que eu encontre alguém e pare de viver nesta eterna solteirice, assediando os garotos nas boates e voltando pra casa de taxi sem saber meu próprio nome. Mas eu tenho um recado pra vocês, me disseram que os opostos se atraem, eu queria que fosse tão fácil assim. Ontem à noite ganhei dois cachorros pretinhos escoceses feitos de imã de geladeira, quando eles estão alinhados corretamente, eles se unem, como todo imã. Mas quando estão apontados da forma errada, não importa o quanto eles tentem, eles se afastam ainda mais. É o que todos estão tentando fazer, não é? Encontrar aquele cachorro escocês e se unir?

Diferença de idade, ainda existe?

O primeiro amor de nossas vidas é sempre alguém inesperado, muitas vezes impossível. No ultimo final de semana enquanto assistia ao show da banda BZ num centro cultural próximo a minha casa percebi a presença de um rosto familiar no palco. O vocalista foi o autor do meu primeiro beijo. Rodrigo, o professor de biologia que há quinze anos me atacou com perguntas em seu Mavericks ao me dar uma carona.

Ele não parecia ter mudado muito, os cabelos apresentavam uma certa palidez e um emaranhado de linhas faziam companhia aos seus olhos escuros. Ele me reconheceu e foi inevitável não segurar o riso. Eu tomei a iniciativa de dar o meu telefone após a sua apresentação. Na noite seguinte estávamos frente a frente num barzinho amistoso que tinha um som romântico para esquentar aquele encontro.

Rodrigo parecia fascinado com a volta ao passado, eu estava nas nuvens. Na realidade nunca entendi o motivo de ter fugido dele quando era jovem, talvez tenha sido a descoberta da minha identidade ou simplesmente medo de começar a vida sexual com alguém que tinha o dobro da minha idade. Mas afinal, ainda existe preconceito em relacionamentos com pessoas mais maduras ou isso ficou no passado fazendo companhia a nostalgia?

Já tive algumas tentativas com homens mais velhos, que não passaram de quarenta e dois anos, o que se pode caracterizar jovens com todas as formas de prolongar a juventude que se tem hoje. Um deles por sinal, abstendo-se de álcool e cigarro parecia ter a minha idade com todo tempo que passava na academia.

Sabe aquela sensação de conquista? Quando você passa anos imaginando como seria transar com alguém e finalmente realiza? Foi assim que me senti com o Rodrigo. Uma das noites mais quentes do ano e uma hora de puro prazer. Parece que a fama dele tinha um fundo de verdade, ele sabia o que estava fazendo e eu me martirizando por ter deixado aquele professor passar e ter iniciado a vida sexual com alguém tão inexperiente como eu.

Muitas pessoas já tiveram a fantasia de namorar o professor, seja na infância, adolescência ou até na universidade. O problema deste conto de fadas urbano é que o final é sempre muito parecido. O professor tem uma infinidade de alunos e a cada semestre novas caras vão surgindo e lhe encantando. Parece uma vida reciclável, onde se pode aproveitar todo dia até o dia da maquina se esgotar. Com Rodrigo não é diferente.

E foi então que lembrei porque não havia cedido pra ele naquela época. Eu queria fazer a diferença, me fazer de difícil pra que ele só tivesse olhos pra mim. O que não aconteceu. Talvez um dia ele encontre alguém que o pare de procurar, ou simplesmente viva realizando as fantasias de seus alunos. Afinal, a vida muda, todos nós mudamos. Só é preciso lembrar-se de quem era para pensar em quem quer ser.

Nostalgia. É possível viver sem ela?

Eu estava saindo da escola com pouco mais de catorze anos quando recebi a carona do meu professor de biologia. Rodrigo era o professor mais cobiçado naquele ano, tanto pelas meninas, como pelos meninos que gostavam de meninos. Durante o trajeto até a minha casa respondi algumas perguntas mecanicamente, então percebi que ele estava ficando mais perto até acontecer o primeiro beijo.

Quinze anos depois daquele momento de extremo desconforto volto a falar do assunto numa sessão de constelação familiar de uma amiga. Pra quem não sabe o que isso significa é uma espécie de terapia em grupo, geralmente com membros da mesma família, o que não era o meu caso ali. Mas lembrar do passado, é sempre algo benéfico ou alguns traumas sempre ficam mais latentes? Pra você, o primeiro beijo foi algo marcante ou frustrante?

Confesso que quando lembro o passado sempre vem uma palavra em minha mente. Nostalgia. É impressionante como existem pessoas que adoram viver disso. Compram brinquedos que tiveram na época, gastam fortunas com LP´s de artistas já foram enterrados há décadas, além de participar de diversas comunidades que as fazem viverem presas ao reviver o passado. Eu simplesmente não entendo.

Eu participo da teoria que não se pode perder tempo com o passado e deve-se viver intensamente o presente para não perder o futuro. Vejo diversas coisas novas aparecendo e sendo desprezadas por que são comparadas a algum nome do passado. Se assistir aos trapalhões vai perceber que só tinha graça porque você era criança, se ver hoje a turma do Didi entenderá que não mudou nada, só as personagens. É assim na televisão, e assim na vida real. Quantos namoros você terminou porque não tinha as mesmas qualidades que você viu no seu ex? Ou pior, naqueles que você fantasiou ser o príncipe encantado e não passou de um verão, que se tivesse vivido um pouco mais descobriria que tem tantos defeitos quanto os homens de hoje em dia.

Parece tão tolo tornar uma grande coisa algo que já não é mais. Eu entendo de algumas coisas do passado. De memórias que não conseguem ir embora, por exemplo. Algumas delas são maravilhosas, aquelas que me fazem lembrar de quando conheci meus melhores amigos. Outras nem tanto e já consegui superar. Agora entendo porque algumas pessoas vivem numa eterna nostalgia, com ela se tem o passado e enquanto tiver isso não ficará sozinho.

Família. Será que podemos escolher?

Dizem que não se pode escolher a família. Talvez assim seja melhor, afinal se pudéssemos escolher a política de devolução teria de ser muito rígida. Na ultima quarta-feira quando organizava um jantar romântico para um futuro pretendente recebi a visita de uma prima que mora em outro estado. Eram três malas de roupas e algumas galinhas mortas num saco que pingou por todo apartamento.

Flávia resolveu passar as férias em minha casa e como não acessava a conta de e-mail destinada para a família há algum tempo deixei de ver seu “auto-convite”. Não tive como escapar deste processo de recepção, mas também não poderia cancelar o jantar. O que fazer para sair de uma saia justa familiar?

Conheci Bernardo na saída do trabalho de uma maneira inusitada, ele estava entrando no hospital para fazer uma visita enquanto eu saía. No segundo dia de coincidência trocamos o numero do telefone no elevador e marcamos o jantar na minha casa. Só não esperava pela minha prima para o jantar.

Quando a campainha tocou Flávia ficou alerta, correu pela casa de toalha e perguntou se já seriam outros parentes que ela havia convidado. Mais uma surpresa que me pegou de jeito. Não receberia só Bernardo, mas uma série de primos, tios e quem mais pudesse vir para receber minha prima na cidade.

O microondas reclamou a comida de supermercado que eu fingiria ter feito, assim como eles fazem nas propagandas. Pensei mais uma vez em ligar para o meu convidado inventando uma gripe asiática ou de algum mamífero que passava para humanos, afinal, estávamos em um hospital quando nos conhecemos, mas não cairia bem a desculpa.

Finalmente Bernardo apareceu e na minha sala não havia lugar para mais ninguém, muito menos para mim. Fiquei extremamente envergonhado quando fui servir água na cozinha para o meu convidado, afinal o único lugar que não tinha familiares era a minha cozinha, e peguei um copo com cheiro de ovos e os outros sujos na pia. Arregacei as mangas para lavar um copo e recebi o convite de Bernardo para sairmos de lá. Foi um dos convites mais românticos que recebi nos últimos meses.

Depois do encontro e de volta para casa percebi que todos já haviam partido sem se despedir, o que eu achei fabuloso, quatro pratos quebrados, móveis afastados e TV ligada encontrei minha prima jogada no sofá coberta pelo meu lençol esperando a minha chegada, assim como fazem as boas mães. Certo, nenhuma família é perfeita. Achei que a minha fosse um documentário, mas acabou sendo uma novela de Manoel Carlos na época em que ele escrevia para o horário das seis. O que posso dizer é que além de não podermos escolher a família estamos presos a ela. Para o bem e para o mal. Mas tudo bem. Talvez os parentes maus existam para nos ajudar a apreciar os bons. E estes são os que estão olhando por você todo esse tempo.

Galinhar ou se aquietar quando a relação acaba?

Este é o segundo mês que consigo dormir apenas na segunda-feira, os outros dias estão dedicados as festas noturnas, encontros de internet e muito sexo casual. Afinal de contas, a melhor maneira de sair de uma relação é “galinhando” ou não passa de uma fuga?

Existem pessoas que ainda se sentem presas ao passado, checam Orkut, conversam com amigos em comum para saber o que o outro está fazendo e se já encontrou um novo amor. Mas existem aqueles que simplesmente não querem mais aquela relação do passado e procuram vingar o tempo perdido usufruindo da vadiagem noturna.

O grande problema desta vida visceral de encontros por um prazer momentâneo são as pessoas que você deixa de conhecer intelectualmente e as feridas que pode causar nelas. Sabe aquele cara que ninguém quer se relacionar, o que é conhecido por magoar os outros? Você se torna um deles.

O tempo passa e por mais desgastante que tenha se tornado seus dias, esta vida de felicidade “fácil” começa a deixar marcas no seu corpo com olheiras, machucados, cansaço e vazio. Vazio no coração por estar se limitando a viver uma vida que não é sua, por ter criado um personagem seguro de que pode sair conquistando, mas que no fundo está fugindo da verdade que é o seu próprio sofrimento.

É difícil encarar o sofrimento de frente, mostrá-lo é ainda pior, seus amigos esperam mais de você, sua família nem precisa notar que você é um ser humano capaz de sentir tal coisa, seu ex jamais pode sonhar o que se passa pela sua mente e quantas lagrimas você derramou. Mas o ser humano precisa de um tempo, necessita de repouso noturno e sentimental. Colocar a mente em ordem ocupando-a com leitura, trabalho ou alguma atividade física pode ajudar se for feito na medida certa. O que não pode é esquecer que existe uma vida pessoal e por mais magoado que você esteja é preciso confrontá-la.

Quantos números novos entraram na minha agenda, quantos eu não fiz questão de anotar, quantos nomes eu já esqueci, lugares que me permiti ir e restaurantes que deixei de pagar. Tanta vida em tão pouco tempo, quando dizem que a vida precisa ser aproveitada imaginei que fosse de outra maneira. Mas é sim, de outra maneira que ela precisa ser vivida. De uma maneira sensível, mesmo que solteiro que tenha um bom motivo, que seja com vontade de estar lá e não por uma excitação de momento sem perceber que está acompanhado. O sentido de aproveitar a vida é simplesmente de apreciá-la.

De volta a cena, com timidez?


Cinco quilos após o último relacionamento, percebi que estava na hora de voltar a sair e procurar por novas experiências. Convencido pelo melhor amigo, agora solteiro, resolvi aparecer na cena noturna e fui muito bem recebido pelos antigos e eternos frequentadores: a bebida e o cigarro.

Vinte minutos de músicas dançantes e de cantoras que não conhecia, mas que pareciam disfarçar o ostracismo das divas da minha época. Encontrei alguém que me interessava. Não era o tipo que me agradava, mas naquele momento não existiam tipos, existia um período de total necessidade de me agarrar. Entretanto, existia uma linha vermelha que separava a minha timidez do bar onde se encontrava a minha vítima. Uma total falta de confiança, de saber como agir, como se eu tivesse esquecido tudo que já havia feito em boates, um verdadeiro medo de levar um fora.

Mas como agir num momento de profunda desconfiança de si?

Tentei encontrar meu amigo, mas ele não havia perdido o jeito e já partia pra segunda rodada de amassos, enquanto eu esperava a coragem de ir além daquela linha imaginária.

Não tinha como entrar na internet e procurar as gírias ou as técnicas mais atuais de se chegar a alguém que estava mais chapado do que eu. Também não podia esperar muito tempo, levando em consideração que eu escolhi a presa mais atraente daquela noite. Três long necksdepois e lembrei como se faz.

Paquerar é como andar de bicicleta, com toda tecnologia que se investe em motocicletas e automóveis. Não tem quem consiga esquecer como se pedala. E o melhor é que depois que pedalamos, a fim de manter o equilíbrio, vem a sensação da liberdade ao sentir o vento bater no rosto e os olhos se encherem de felicidade.

É bom estar solteiro?


A noite quando entrei em casa esperei a secretária eletrônica me consolar com alguns recados, mas não havia nada mais que o insistente banco me oferecendo seguros e uma amiga que só consegue falar uma palavra quando o tempo do recado termina. Na cozinha a louça continua suja, a embalagem do macarrão instantâneo que foi usado na noite anterior parece deprimido no meio de tanta bagunça, e só nesta hora que percebo o que é estar solteiro.

Mas porque estar solteiro é sempre visto com maus olhos? Veja pelo lado positivo, pode-se usar toda a água quente do chuveiro, não precisa dividir a pipoca nos filmes que você adora assistir novamente, e usar o controle para passar por todos os canais que achar necessário para fugir de propagandas.

Entretanto o estado da solteirice trás algumas manias que se completam com a total falta do que fazer, se meter na vida dos outros é uma delas. Geralmente o solteiro volta a freqüentar os círculos de amizade com mais freqüência, freqüência esta que de tal forma começa a se tornar maçante e ele resolve variar com amigos do trabalho, da academia, do condomínio e ainda liga para os da faculdade pra saber se eles ainda se reúnem só pra não se tornar inconveniente com os outros.

Outra mania fundamental é tentar destruir o namoro do melhor amigo, estar solteiro é um momento e plenitude, ele precisa dividir isto com alguém que lhe entenda perfeitamente e acaba fazendo tudo para conseguir terminar o namoro e ter o amigo de volta num momento de prazer da solidão a dois.

No final da noite acabei vendo um programa no Discovery Chanel sobre a teoria da matéria que dizia que ela existe de formas diferentes. Acho que o mesmo se aplica ao amor. O Amor é como o liquido podendo correr externamente e trazer vida para um deserto. O Amor pode ser um gás leve como o ar e assumir a forma do seu recipiente. E como a matéria, o amor não pode ser criado ou destruído está sempre lá, mesmo quando não se pode ver, mesmo quando está bem na sua frente.

É então que chega uma hora em que nos preocupamos tanto com a vida dos outros, tentando ajudá-los, fazê-los felizes ou solteiros, que procuramos encontrar neles o que está faltando na nossa vida, e isso se reflete no amor. Você pode ser feliz estando sozinho, mas não pode esperar que a felicidade dos outros possa completar a sua.

* Foto de Mario Lopez eleito em 2008 pela revista people o “solteiro mais quente” (hottest bachelors). A Lista de 2009 ainda não saiu, quem sabe pode ser você?

Quem são os Cafuçus nas Baladas?

No final das tardes de sexta-feira é comum encontrar uma correria no transito, tudo para chegar mais cedo nos barzinhos e encontrar um lugar favorável onde os amigos possam caber ao redor da mesa. Mas na ultima semana andei observando o vocabulário da mesa mudar. Há alguns anos era comum usar o termo “Prestador de serviços” para o tipico cara que realizava a foda mágica, ou seja, o sexo descompromissado e sem ônus.

Os mais novos titulares são os cafuçus do bem. Um grupo de humor já havia soltado o jargão em seus videos no youtube, mas não acreditei que pudesse ganhar a boca dos populares, pela imagem da palavra vir de algo pejorativo. O contrario aconteceu e o que era visto como ruim, passou a ganhar respaldo.

Mas não ficaram só nos títulos de cafuçu do bem (o tipo comum), cafussu excandalo (o tipo bonito) e cafuçu do pântano (remetendo ao tipo mais feio). Eles ganharam adaptação com os tipos de bebidas que tomamos nos bares e boates.

Cafuçu Long Neck – É aquele que não é visto pelo rosto, e sim pela longa neca.

Cafuçu Orloff – Que depois de algumas doses começa a querer ir pra casa.

Cafuçu Red Fruts (cachaça de frutas vermelhas) É o tipico baladeiro, mas é doce e depois de um tempo se torna enjoativo.

Cafuçu Campari – É o tipo do cara bonitinho porque fica vermelho de vergonha após alguns amassos.

Cafuçu Red Label – É o mais nobre da noite, mas depois de algumas doses ele se acha e esquece de quem está do lado.

Cafuçu Caipirinha – É muito popular, geralmente já ficou com todo mundo da festa.

Cafuçu Coca-cola – Acredite, é a primeira vez que ele está saindo de casa para uma balada.

Cafuçu Água Mineral – Nem se aproxime, ele não vai olhar pro lado, é o famoso Narciso.

Mas como diferenciar o cafussu na balada? Confesso que é um pouco complexo sair detectando apenas pelo visual, mas geralmente ele está bebendo algo que pode ser associado. E tem mais, que tal sair provando? Só tenha cuidado com as misturas, já vi muita gente sair carregada. E lembre-se, se for dirigir não beba, se for beber me chama.

Você tem medo de ficar só?

Duas horas de atraso, um encontro furado, palavras duras do outro lado da ligação, mentiras e justificativas para delitos amorosos. Quem nunca passou por isso em uma relação? Mas até quando precisamos estar em um relacionamento para ver que ele não dá certo?

Enquanto tomava um drink no happy hour freqüente da sexta-feira à noite, percebi que as queixas de um namoro são maiores do que as alegrias que ele pode trazer. Não se trata de conformismo ou de esperar demais da outra pessoa. Eu estava num momento de decisão, aquele que você precisa acreditar porque seus amigos já não levam muito em consideração o que é dito depois de idas e vindas. Mas uma pergunta me deixou sóbrio.

Você tem medo de ficar só?

Definitivamente eu não sabia o que responder. Ficar só vem de solidão, estar à espera é ter esperança, o que não vem ao caso. Ficar só é não ter alguém, nada que lhe complete, que lhe faça companhia. Estar só, é não ser, é ser você e de mais ninguém.

Certos trabalhos precisam ser feitos sozinhos, alguns momentos precisam ser assim, mas ter seus dias fadados a si é egoísta. No fundo todos queremos ter alguém, pra dividir a conta do restaurante, pra ouvir as noticias do dia, para ter uma musica favorita, pra acordar e não ver a sombra que ficou no colchão sem um sinal de bom dia.

Mas quantas vezes estamos com alguém, e mesmo assim estamos sós? É comum em relacionamento, em fins de relacionamentos, nos momentos mais infelizes. E porque deixamo-nos ficar só mesmo acompanhados?

Eu acredito no céu e no inferno mesmo nunca tendo os vistos. Eles precisam existir, por que sem ambos, não saberíamos para onde ir. Quando nos apaixonamos vivemos entre estes limites, entre o céu e o inferno, mas nunca sabemos onde iremos chegar. É esta dificuldade, este limite, que nos impede de tomar decisões importantes, que nos faz acreditar que é possível enfrentar qualquer coisa para não começar tudo de novo. Por que temos medo. Medo da morte, da mudança, do inferno, e principalmente do recomeçar. Mas se tudo na vida não partir de um começo, não terá céu, apenas um limbo, de pessoas descrentes e conformadas com sua falta de sonhos. Eu acredito neles, e sinto que fico mais forte a cada nova tentativa, por que ainda não perdi a esperança.